No Brasil, até poucas décadas atrás, querer ser empreendedor e abrir seu próprio negócio era considerado “coisa de maluco” ou de quem “não deu certo nos estudos”. Um país pobre, com um mercado que sofria terrivelmente com planos econômicos fracassados, era um ambiente muito inseguro para lançar-se como empresário, principalmente em micro e pequenos empreendimentos.

A segurança e a estabilidade estavam em fazer algum curso de graduação que permitisse uma carreira sólida (como Medicina, Direito ou Engenharia), ou estudar muito para passar em um concurso público e ter a vida financeira estável para sempre.

Entretanto, os tempos mudaram. Com o crescimento do país, e uma economia muito mais estável do que nas décadas de 1980 e 1990, diversas pessoas têm se lançado ao mundo do empreendedorismo. Seja por necessidade ou por oportunidade, milhares de micro, pequenas e médias empresas foram abertas nos últimos anos no país.

Porém, uma questão que tem vindo muito à tona ultimamente é a necessidade ou não de estudar para se tornar um empreendedor de sucesso. É realmente preciso cursar uma graduação para investir na própria empresa?

Se você pensa em abrir seu próprio negócio e esse é um questionamento pertinente para seus planos futuros, confira nosso artigo de hoje!

É possível aprender a ser um empreendedor de sucesso?

Há quem diga que existem pessoas que nascem com o “dom” de empreender, e que isso não pode ser ensinado. Se pensarmos em empresários bem-sucedidos e sem educação superior formal, como Sílvio Santos, por exemplo, isso pode parecer verdade.  Porém, é necessário ter em mente que esses não são os casos da grande maioria dos empresários bem-sucedidos: uma parcela significativa dos empreendedores brasileiros tem de 5 a 11 anos de educação formal.

Para se ter o próprio negócio e ser capaz de mantê-lo, certas características realmente têm de estar presentes no empreendedor, como flexibilidade, resiliência, paciência, paixão, ambição, força de vontade e desejo de fazer dar certo.

Todas essas qualidades, teoricamente, “nascem” com a pessoa e não podem ser ensinadas em um curso de graduação. Entretanto, elas podem ser aprimoradas e trabalhadas no ambiente acadêmico, e um curso superior tem um papel importante nisso. Você terá contato com pessoas mais experientes no assunto e poderá aprender muito com elas se souber aproveitar as oportunidades que aparecerem, o que pode prepará-lo para enfrentar adversidades inerentes ao mundo empresarial de uma maneira mais assertiva e leve, por exemplo.

O diploma é essencial para um empreendedor?

Teoricamente, não. Não há, ainda, nenhum curso de graduação específico para a formação de empreendedores. Qualquer pessoa pode abrir seu próprio negócio, independentemente de sua escolaridade. Porém, diversos cursos têm muitas disciplinas voltadas para a gestão e administração de empresas, como Administração, Gestão de Negócios, Gestão Financeira, Marketing, entre outros.

Nessas disciplinas, são ensinadas técnicas para enfrentar momentos de crise econômica, ou até mesmo momentos de ascensão e queda de um negócio, sempre utilizando exemplos de empresas reais, já consolidadas e conhecidas no mercado.

É preciso ter em mente que um curso de graduação voltado ao empreendedorismo não é garantia de que sua empresa dará certo. Porém, as técnicas aprendidas durante a faculdade podem ser essenciais na hora de enfrentar as adversidades que certamente surgirão, tornando o caminho mais fácil e diminuindo sensivelmente os riscos.

Há casos de empreendedores de sucesso que não têm diploma?

Assim como não há cursos superiores específicos para formar empreendedores, pode-se dizer também que não há uma fórmula para empreender. O mercado financeiro, as relações de trabalho, o contexto para aplicar boas ideias e as necessidades das pessoas são dinâmicas.

Há alguns casos de grandes empreendedores que não têm ensino formal ou que abandonaram a faculdade para se dedicarem aos negócios em tempo integral e conquistaram enorme sucesso. Vamos conhecer oito exemplos bem interessantes:

Mark Zuckerberg

Depois de passar boa parte da adolescência aprimorando seu talento como programador, Zuckerberg foi aprovado no curso de programação da Universidade de Harvard. Lá, embora não tenha sido muito dedicado aos estudos, continuou desenvolvendo seus projetos pessoais na área e testando com os próprios alunos da universidade suas primeiras ideias de redes sociais.

A primeira delas foi o CourseMatch, que permitia que alunos escolhessem juntos disciplinas para se matricular. Além dele, criou um site em que os estudantes escolhiam entre colegas da universidade qual era o mais atraente.

Foi por essa época que ele conheceu outros programadores de Harvard e, junto com eles, chegou ao primeiro projeto do Facebook, deixando a faculdade para se dedicar a ele logo em seguida.

Steve Jobs

A vida do lendário criador da Apple não foi nada linear. Seus pais biológicos foram forçados a entregá-lo para a adoção e Jobs foi criado por uma família da Califórnia. Sua mãe adotiva o ensinou a ler e o pai, a fazer reparos em carros usados e equipamentos eletrônicos. De certa forma, esse foi o caminho de entrada de Jobs no mundo da tecnologia.

Mais tarde, ele ingressou no Reed College. Nessa faculdade, o aluno escolhe o curso depois de cerca de um ano e meio de estudos de disciplinas mais gerais, mas ele saiu antes mesmo disso. Jobs achava que a faculdade tomava um tempo que podia ser dedicado a projetos pessoais. Porém, fez questão de continuar frequentando aulas de dança e caligrafia como ouvinte, por quase dois anos.

O próprio Jobs admitiu que essas aulas de caligrafia do Reed foram muito importantes para que ele desenvolvesse, posteriormente, a tipografia do Macintosh, um dos primeiros computadores pessoais da Apple.

Bill Gates

Muitos anos antes de Zuckerberg, Bill Gates também foi aluno de Harvard. Ele frequentou os cursos de Matemática e Direito por três anos, mas foi incentivado pelo amigo Paul Allen, seu futuro sócio na fundação da Microsoft, a deixar a faculdade. Durante o período em que ainda frequentava as aulas, Gates conheceu Steve Ballmer, outro futuro colega de trabalho importantíssimo para o sucesso da Microsoft.

Mesmo tendo encerrado sua vida acadêmica precocemente, ele ainda viria a trabalhar como pesquisador visitante na Universidade de Massachussets e receberia um diploma de honra da universidade Harvard, vários anos mais tarde. Assim, Gates cumpria a promessa que havia feito ao pai de se formar.

Michael Dell

O fundador da marca texana de computadores Dell é outro grande empreendedor que abandonou a faculdade. Michael Dell entendia de eletrônica e tinha jeito para o empreendedorismo. Ele percebeu que os fabricantes de computador, nos anos 90, gastavam muito dinheiro com atravessadores, e isso encarecia o produto final.

Sem pensar duas vezes, usou suas economias para comprar um lote de computadores IBM com defeito. Consertou esses computadores, adicionou memória, espaço e fez outras melhorias. Assim, conseguia vender computadores melhores e 15% mais baratos que os das lojas.

Algum tempo depois, ele já tinha um faturamento de 80 mil dólares mensais vendendo seus próprios computadores. Foi por essa época que Dell resolveu sair da faculdade — assim como o que aconteceu com Steve Jobs, ele não havia nem se decidido pelo curso ainda — e se dedicar à sua fábrica em tempo integral.

Para isso, teve que quebrar uma promessa que fizera aos pais, de se dedicar aos estudos até se formar.

Jack Dorsey

Um dos fundadores e atual presidente do Twitter, Dorsey estudou em escola católica e desde a adolescência demonstrou interesse por programação. Alguns aplicativos de cálculo de rota e entregas que desenvolveu antes de entrar para a faculdade foram usados por empresas de táxi e transportadoras.

Dorsey estudou Engenharia no seu estado natal, o Missouri, e também em Nova Iorque, mas abandonou o curso. Ao contrário dos outros empreendedores desta lista, sua empresa não foi responsável por ele ter largado o curso (a inspiração para a rede social dos 140 caracteres veio só em 2000), mas foi o motivo para que seus dois sócios, Biz Stone e Evan Williams, deixassem a faculdade.

Samuel Klein

O fundador e proprietário das Casas Bahia, uma das maiores redes varejistas da América Latina, é judeu de ascendência polonesa. Sua mãe morreu num campo de concentração nazista. Depois de fugir para a Alemanha e a Bolívia, Samuel Klein chegou ao Brasil em 1952.

Embora tenha tido uma educação formal nos primeiros anos da vida, primeiro em escolas judaicas e depois em outras, onde sofreu muito preconceito, ele jamais se matriculou em uma universidade. Seu aprendizado empreendedor veio desde a infância, quando negociava animais com autorização do pai.

As Casas Bahia surgiram a partir de uma loja de cobertores que tinha como clientes muitos trabalhadores que emigraram desse estado.

Alberto Saraiva

Nascido em Portugal, o proprietário da rede de fast food Habib’s chegou ao Brasil antes de completar dois anos de idade. Desde muito pequeno, foi incentivado pelos pais a fazer um curso de Medicina. Mais tarde, a família chegou mesmo a se mudar do Paraná para São Paulo para que Alberto tivesse a chance de estudar numa universidade melhor.

Apenas alguns meses depois de o jovem ser aprovado, seu pai foi assassinado num assalto, deixando para ele uma padaria que acabara de comprar e que pretendia administrar. A partir daí, ele se dedicou a cursar Medicina e gerenciar o negócio, levando 10 anos para se formar. Mas nunca chegou a exercer a profissão de médico.

Anos mais tarde, conheceu um cozinheiro especializado em comida árabe, junto ao qual fundou a famosa rede de fast food que administra até hoje.

James Cameron

O diretor de Titanic e Avatar nasceu no Canadá e se mudou para os Estados Unidos na adolescência. Embora seus filmes somem diversos Oscars, Cameron nunca frequentou uma faculdade de Cinema. Ele estudou Física e Inglês na Fullerton College, na Califórnia, por pouco mais de um ano e largou o curso.

Depois disso, trabalhou como caminhoneiro antes de descobrir sua habilidade para o cinema, escrevendo roteiros e produzindo filmes desconhecidos. Gerindo a própria carreira com muito empreendedorismo e inteligência, logo ficou conhecido pela direção do filme Exterminador do Futuro.

Alguns dos casos acima são de empreendedores que largaram a faculdade para se dedicarem a modelos de negócio sólidos e com um bom faturamento. Além disso, é interessante notar que, embora não tenham se formado, alguns deles conheceram grandes parceiros ou sócios nos seus cursos de graduação e mantiveram uma relação indireta com a universidade por toda a vida, como Bill Gates e Steve Jobs.

Como se qualificar para o mercado e a competição?

Apesar de o Brasil ter um nível educacional ainda muito incipiente quando comparado aos países desenvolvidos, a população do país está cada vez mais escolarizada. Isso aumenta muito a competição por vagas de emprego em empresas e, obviamente, entre os empreendedores.

Se dois empresários têm negócios em um mesmo nicho de mercado, quem você acha que estará melhor preparado para gerir e administrá-lo? O que tem boas noções de administração, gestão, finanças e visão de mercado, adquiridas em uma universidade, ou o que não estudou nada e aprende tudo no dia a dia, conforme as demandas vão surgindo? A resposta parece óbvia, não é?

Uma pesquisa realizada em 2010 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) revelou que os empreendedores brasileiros estão, a cada ano, mais escolarizados. Hoje em dia, cerca de 20% dos empreendedores têm entre 5 e 11 anos de estudos, contra apenas 4,7% que não têm educação formal. Esses números sugerem que estudar faz mesmo diferença na hora de gerir de maneira apropriada seu próprio negócio.

Quais as principais vantagens de ter um diploma para empreender?

Fazer um curso superior ou até mesmo investir em educação continuada, como cursos de pós-graduação e MBAs, permite que você conheça um pouco sobre diferentes áreas, e lhe fornece conhecimento suficiente para montar um bom time de profissionais e colaboradores para impulsionar o seu negócio. O bom empreendedor não precisa dominar todos os aspectos gerenciais, mas é importante que saiba um pouco sobre cada um, pois isso auxilia bastante na hora de escolher e contratar bons profissionais e acompanhar bem o trabalho de quem cuida de cada setor.

Até mesmo cursos que não têm, diretamente, nenhuma relação com o empreendedorismo podem te ajudar a desenvolver qualidades essenciais para a boa gestão do seu negócio. Cursos de exatas, como Matemática ou Física, por exemplo, podem trabalhar seu pensamento analítico e racional, qualidades importantes para um empresário. Por outro lado, cursos na área de humanas, como Filosofia, Ciências Sociais ou Comunicação, podem aprimorar sua capacidade de negociação e de lidar com pessoas e grupos.

Apesar de não ser obrigatória para a abertura de um negócio próprio, a educação formal pode te ajudar muito a desenvolver bons conhecimentos de gestão, preparando-o melhor para tomar decisões e aproveitar melhor as oportunidades que surgem.

Assim como aconteceu com muitos dos empreendedores famosos que citamos, estar na universidade também aumenta muito sua rede de contatos, e você acaba aprendendo com pessoas que já trilharam o caminho que você quer iniciar, além de conhecer possíveis parceiros de empreendedorismo que podem ser para a vida toda. Bons conselhos e troca de experiências são essenciais para seu negócio dar certo.

Gostou do nosso post de hoje? Acha que é preciso um diploma para começar o próprio negócio? Restou alguma dúvida ou tem alguma opinião a acrescentar? Comente e nos diga o que achou!

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