Nos últimos meses, um assunto vem preocupando gestantes por todo o Brasil: a infecção do Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo responsável pela a dengue) e sua aparente relação com o surgimento da microcefalia — condição neurológica com graves sequelas em bebês ainda no útero da mãe. O país foi assolado por uma epidemia de casos da doença desde 2015, principalmente em estados do Nordeste, causando ansiedade e medo em várias mulheres em diferentes estágios da gravidez, assim como em suas famílias.

No post de hoje explicamos como o Zika vírus é transmitido e o risco que ele traz a gestantes e seus bebês, assim como as medidas mais seguras de se evitar a doença. Abordamos também quais evidências mais recentes mostram qual de fato é a relação entre o vírus e a microcefalia em bebês ainda no útero. Confira!

Entendendo a doença

A Zika é uma doença de origem africana e seu agente causador é um vírus especializado em viver no organismo de primatas (o que inclui os seres humanos) e também dentro de seu principal transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Esse inseto, velho conhecido do brasileiro por também transmitir a dengue (e mais recentemente a Febre Chikungunya, outra doença que vem preocupando nossa população), é o principal responsável pela propagação do vírus, picando pessoas doentes e posteriormente fazendo o mesmo com indivíduos saudáveis, o que causa a epidemia.

Em adultos, a doença apresenta sintomas muito parecidos com os da dengue: febre baixa, dores nas articulações e músculos, ardor e inflamação nos olhos, presença de manchas vermelhas pelo corpo, náuseas e vômitos. Por isso, é extremamente difícil diferenciar as duas patologias, já que não existe ainda um teste científico específico para a detecção do Zika vírus. É possível ainda que a pessoa infectada não desenvolva sintoma algum, deixando a doença completamente despercebida — o que torna o indivíduo um propagador silencioso do vírus.

Na maioria dos casos que envolvem adultos infectados, a doença não transcorre com complicações sérias ou comprometimentos permanentes da saúde e a pessoa acometida recupera-se sem sequelas.

O Zika vírus e a gravidez

Quando uma mulher grávida contrai o Zika vírus, é possível que ocorra a transmissão vertical da doença para seu bebê através da placenta. Dentro do organismo fetal, essa patologia aproveita-se da frágil fisiologia do bebê e pode levar a comprometimentos sérios de seu sistema nervoso, além de outros tecidos e órgãos da criança. No ano passado, um aumento anormal dos casos de nascimento de bebês com microcefalia e outras condições de origem intrauterina levou cientistas da comunidade médica a voltarem seus olhos para a Zika.

Muitas patologias que acometem mulheres durante a gravidez podem levar a malformações e problemas de saúde no feto em desenvolvimento — são os casos do HIV, da Toxoplasmose e da rubéola. Entretanto, até recentemente, não havia nenhum tipo de evidência ou estudo científico que apontasse a relação do Zika vírus com o surgimento de complicações congênitas em bebês. Por isto, essa série de casos de microcefalia e outros acometimentos neurológicos aparentemente causados pelo vírus vêm pegando gestantes, médicos e o sistema de saúde brasileiro de surpresa.

Entretanto, pesquisas realizadas nesse ano vêm encontrando provas desta correlação perigosa. Um estudo encontrou o Zika vírus presente no líquido amniótico de mulheres grávidas que tiveram sintomas da doença e deram luz posteriormente a bebês com microcefalia, o que parece corroborar esta hipótese.

A microcefalia e outras complicações do Zika vírus

A microcefalia é uma patologia na qual a criança em desenvolvimento tem problemas em formar um sistema nervoso de acordo com a evolução normal do organismo fetal, o que faz com que a cabeça e o cérebro do bebê sejam menores que aqueles observados na maioria das crianças. O surgimento do quadro é atualmente associado a condições genéticas, consumo de drogas e álcool durante a gestação, doenças como a Toxoplasmose e Citomegalovírus e também complicações da gravidez que reduzam a oferta de oxigênio para o bebê no útero.

Dependendo do grau da microcefalia, a criança pode nascer com graves sequelas e impedimentos neuronais — como déficits intelectuais, atraso no aprendizado e da fala, crises epilépticas, crescimento reduzido, postura e equilíbrio prejudicados, entre outros comprometimentos gerais do desenvolvimento do bebê.

A microcefalia pode ser observada nos exames morfológicos de rotina feitos durante a gravidez e é comprovada após o nascimento ao se fazer a medição do perímetro cefálico da criança. Não existe nenhum tipo de tratamento que cure a condição, sendo as únicas medidas terapêuticas aquelas que buscam dar suporte às complicações geradas pela patologia – como fisioterapia, fonoaudiologia, etc.

Ainda não se sabe ao certo o mecanismo que leva ao surgimento da microcefalia por meio da infecção do Zika vírus. O que tudo indica é que a infecção e a inflamação geradas pelo micro-organismo causem danos na estrutura e replicação das células nervosas. Além disso, a Zika parece estar relacionada a outras complicações congênitas como a malformação dos olhos e inflamações das articulações, o que mostra que o comprometimento da doença em bebês pode ser mais séria do que se pensava anteriormente.

Evitando a transmissão da Zika

Apesar de estudos já estarem sendo realizados com o objetivo de se criar uma vacina para o Zika vírus, a única maneira de evitar a contração da doença ainda é impedindo o desenvolvimento e proliferação de seu agente transmissor, o mosquito Aedes aegypti.

Como o inseto desenvolve-se em locais de água parada, a eliminação dos criadouros do mosquito (por meio de medidas públicas de prevenção e dedetização, assim como da mobilização popular) é a forma mais efetiva de restringir a proliferação do Aedes aegypti em ambientes urbanos. Outras ações que podem ter sucesso são o fechamento de cortinas no horário da tarde (horário que o mosquito costuma picar mais) e o uso de repelentes — a ANVISA mostrou recentemente que é seguro para grávidas o uso desses compostos químicos que visam diminuir a chance de picada.

Por isso, a prevenção e a propagação da informação são as maneiras mais certeiras de se impedir a epidemia do Zika vírus e de suas complicações.

Gostou de saber mais sobre esse assunto? Deixe sua dúvida ou comentário aqui! Até a próxima!

Guia completo para planejar e organizar a vida de universitário