Se você anda lendo os jornais e tentando se manter bem informado, já deve ter ouvido falar do projeto de reforma curricular do Ensino Médio que vai ser votado em breve. A expectativa é de que ele seja aprovado ainda este ano.

Essa reforma gera uma dúvida imediata nos alunos do Ensino Médio, principalmente os do terceiro ano, que estão de olho nas alterações que o novo modelo curricular pode provocar no Enem. Afinal, quando e como o exame vai se adaptar a todas essas mudanças?

Para te ajudar com as possíveis respostas para essa pergunta, fizemos este texto sobre o assunto. Leia até o fim, tire suas dúvidas sobre as relações entre essas duas coisas e comece desde já a se preparar melhor para um possível novo formato de Enem.

O que muda com a reforma curricular do Ensino Médio?

Se o conteúdo ensinado vai ser modificado, é de se esperar que a principal avaliação nacional de ingresso no Ensino Superior acompanhe as mudanças.

Se aprovada, a nova Base Comum Curricular Nacional (BNCC) vai alterar pontos importantes do ensino no Brasil. A forma como o projeto dessa reforma tem sido conduzido, aliás, despertou muitas críticas por parte de alguns profissionais da área de Educação.

Segundo eles, a proposta deveria ter sido amplamente discutida, para que houvesse uma melhor compreensão dos seus pontos básicos e a sugestão de modificações e melhorias, o que não aconteceu.

Ela foi apresentada como Medida Provisória (MP), um tipo de procedimento que o próprio Presidente da República adota para colocar alguma modificação em prática de forma urgente. Seja como for, a expectativa é mesmo de que ela seja aprovada e isso vai mudar várias coisas no Ensino Médio do Brasil e, consequentemente, no Enem:

O turno integral passa a ser obrigatório

Um dos principais pontos do projeto é aumentar, por lei, a quantidade de horas que crianças e adolescentes devem permanecer na escola. Na prática, o aumento acaba fazendo valer o turno integral, já que o tempo exigido anualmente vai chegar próximo do dobro: de 800 horas anuais, como é hoje, deve passar para 1,4 mil horas.

Para que se tenha uma ideia de como isso muda a rotina diária das escolas, essa mudança pode significar uma rotina diária de 7 horas em média na escola, em vez das 4 ou 5 horas comuns até agora.

O aluno passa a optar por certas disciplinas

Hoje, o Ensino Médio é organizado de uma forma que obriga todos os alunos a frequentarem as mesmas aulas. O que muda com a reforma é que, embora continue havendo disciplinas obrigatórias para todos os alunos — que podem ocupar um máximo de 1,2 horas anuais —, eles vão poder escolher as outras.

Essas disciplinas optativas serão divididas por áreas: Matemática, Ciências da Natureza, Linguagens, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional. O objetivo disso é tornar o Ensino Médio mais direcionado para a universidade e a área que o aluno pretende escolher para trabalhar.

As disciplinas de Artes e Educação Física deixam de ser obrigatórias

Pelas alterações que estão no texto da proposta, disciplinas como Música, Teatro, Artes Visuais e Educação Física deixam de fazer parte do currículo obrigatório e serão disponibilizadas apenas entre as opcionais.

O professor não precisa mais ser formado na área

Talvez o item mais polêmico de todo o projeto seja o fato de que ele propõe que seja possível contratar professores sem formação na mesma área em que vão ensinar.

Isso permite, por exemplo, que um Engenheiro Mecânico esteja apto a dar aulas de Física ou Matemática. A avaliação dos conhecimentos desse novo professor passa a ser feita pela própria escola, durante a contratação.

Como essa reforma afeta o Enem?

É claro que você pode esperar mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio por conta da aprovação dessa medida provisória. Afinal, a base de conteúdo das provas do Enem é aquilo que é ensinado no primeiro, segundo e terceiro ano das escolas.

Dentre as mudanças de que falamos no item anterior, o mais provável é que o aumento da carga horária e as mudanças nas disciplinas obrigatórias afetem mais diretamente o Enem. No primeiro caso, é de se esperar que, com as horas a mais que o aluno passa na escola, o conteúdo seja explorado mais a fundo e, com isso, o nível de exigência do exame seja maior.

A grande dúvida é quanto ao segundo ponto: se passar mesmo a haver disciplinas obrigatórias e opcionais, não está claro como elas vão ser cobradas na prova do Enem. Afinal, todos vão cursar o mesmo conteúdo obrigatório, mas o resto vai ser de escolha de cada aluno.

O provável é que esse problema se resolva com uma de duas possibilidades: o Enem vai passar a cobrar apenas as disciplinas obrigatórias ou vai haver tipos de prova diferentes, que variam conforme a área que o aluno escolheu para seguir ainda durante o Ensino Médio.

Seja como for, a relação das disciplinas de escolha do aluno com a prova do Enem deve ficar sem resposta por um bom tempo ainda. O que se sabe até o momento é que, assim como aconteceu com o exame de 2016, o de 2017 deve permanecer inalterado em sua estrutura.

Claro, tudo sobre a relação dessa reforma com o Enem ainda é muito especulativo. O que tentamos fazer neste texto foi prever as mudanças mais prováveis.

Mas, para ter certeza mesmo sobre o que está por vir na reforma curricular do Ensino Médio, o melhor é você fazer o que é recomendado para todo estudante que pretenda fazer o Enem: ficar ligado em bons sites de notícias, jornais e noticiários. Embora o exame de 2017 vá manter a estrutura de sempre, ele vai exigir que você esteja por dentro de tudo que acontece no país!

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